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Quarta, 27 Janeiro 2010 09:00 |
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No último Domingo de Janeiro de cada ano, é celebrado o Dia Mundial dos Leprosos, o qual foi instituído pela ONU, em 1954, a pedido de Raoul Follereau, o Apóstolo dos Leprosos do século XX.
A Lepra é uma doença dermatológica, infecciosa, crónica que atinge as pessoas pelo contágio, em especial as mais frágeis que sofrem de desnutrição, falta de água potável e baixos padrões de higiene. Raoul Follereau chamava à lepra a filha primogénita da pobreza.
O Dia Mundial dos Leprosos celebra-se no próximo dia 31 de Janeiro de 2010 e será mais uma oportunidade para levar as pessoas a reflectirem sobre a situação de sofrimento das vítimas desta doença e a partilhar com elas a sua solidariedade e algo dos seus bens, para ajudar a tratar as suas feridas, aconchegar os seus estômagos, prestar mais informação sobre a doença, reabilitar e reinserir quem está marginalizado por causa desta enfermidade.
Quando a Lepra é diagnosticada e tratada atempadamente, evita-se a formação de úlceras, a afectação do sistema nervoso periférico, a produção de lesões graves nos pés, nas mãos e evitar a cegueira.
Actualmente há tratamento e cura para a doença e são tratados, efectivamente, cerca de um milhão de doentes por ano. No entanto, as precárias condições de vida de muitas populações, devido à pobreza, às injustiças sociais, à ignorância, às guerras e às calamidades naturais causam o aparecimento de 400/500 mil casos novos por ano.
Raoul Follereau (1903/1977) dedicou 50 anos da sua vida à causa dos Leprosos “os mais pobres dos pobres”, como ele os definia, orientando a sua acção sob a mensagem “combater a Lepra e todas as causas de exclusão social”.
A Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau inspira a sua actividade na Mensagem de Raoul Follereau, a favor dos doentes de Lepra e vítimas de todas as “lepras”. Em Portugal, a APARF colabora com ajuda material e social, ao mesmo tempo que acompanha os casos mais urgentes e de maior necessidade, tanto nacionais como estrangeiros, cujo número total ronda presentemente meia centena de hansenianos e seus familiares.
Agência Ecclesia |
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Quinta, 28 Janeiro 2010 09:00 |
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Há frases banais que nunca é de mais repetir. Uma delas é que todas as ideias têm consequências, algumas indesejadas. O Estado social europeu, que foi uma excelente ideia, também teve as suas consequências funestas.
2010, que se decidiu ser o Ano Europeu de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social, é uma boa altura para se reflectir sobre alguns desses efeitos não desejados.
Os europeus acreditaram e construíram uma sociedade de inclusão suportada por um bom crescimento económico, pela garantia do emprego, pela defesa dos trabalhadores organizados em sindicatos, tudo enquadrado por direitos políticos gerais, universais e benefícios diversos (férias, subsídios de doença, reformas, abonos de família, etc.). Hoje, que a economia cresce pouco ou nada, que o desemprego aumenta, que os benefícios são reduzidos e desiguais e é maior o número dos que descrêem ou se afastam dos direitos políticos, vemos sublinhada uma tendência que vinha já de há muito: a sociedade que construímos baseou-se numa espécie de bipolaridade política e social que foi marginalizando cada vez mais gente: imigrantes, desempregados, biscateiros, todos os que não têm representação política ou social, estão arredados das preocupações dos Governos e das concertações sociais.
Acontece que estas margens são cada vez maiores e têm um potencial cada vez mais explosivo. Apesar de ser uma sociedade de desperdício, o fosso social alargou-se brutalmente. A mais recente crise em Portugal evidencia como é diferente estar ou não estar empregado. Os primeiros, nada ou quase nada sentiram; os restantes vivem situações dramáticas. Enquanto corporações sindicais lutam por mais e mais benefícios, os que dormem na rua, trabalham sem férias, sem subsídios, sem direitos de maternidade, sem nada, não têm sequer a quem se queixar.
Reconhecer que a organização social está hoje assente numa realidade que já não existe é o primeiro passo para podermos combater a pobreza. Persistir num modelo que funcionou bem mas que está esgotado é brincar com o assunto.
Não é fácil reconhecer o fim de uma era, sobretudo de uma era de ouro. Não é simples abdicar de direitos garantidos, mesmo que para alargá-los a quem não os tem. A sociedade actual é tribal, polarizada, sem sonhos, causas ou esperanças que a unam (o desprezo pelas tradições, o endeusamento do novo, a ridicularização da moral, são ideias que para tal contribuíram).
Por mim, não sei sair deste labirinto, indicar um modelo. Mas gostava que o combate à pobreza não se reduzisse apenas a um espectáculo de boas intenções.
Texto publicado na edição do Expresso de 23 de Janeiro de 2010
Expresso |
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Sábado, 24 Janeiro 2009 09:00 |
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O catedrático da Universidade de Coimbra José Reis atribuiu responsabilidades na crise à ciência económica dominante, defendendo ser possível uma posição alternativa a esta da economia enquanto ciência.
"Há uma responsabilidade do pensamento económico, do conhecimento técnico e dos economistas na crise. Temos que reflectir, pensar e criar uma alternativa à ciência económica dominante", considerou, em declarações à agência Lusa, o professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FUEC).
A análise da responsabilidade do pensamento económico e do conhecimento técnico dos economistas na crise e de uma posição alternativa a esta, em que a economia "não se limite a ser a ciência dos mercados", foram questões em debate no seminário "A Economia e o Económico", que terminou este sábado no Centro de Estudos Sociais (CES) da UC.
"A economia enquanto ciência tem de alargar o seu objecto: tem de estudar também as formas concretas como as pessoas e a produção se organizam, que factores culturais, sociais e políticos intervêm", sustentou o antigo secretário de Estado do Ensino Superior à margem do seminário.
Na perspectiva do investigador do CES, "a economia enquanto ciência tem muita matéria de que se ocupar e pode fazer melhor do que a ciência económica dominante".
Deve preocupar-se com os próprios fins da riqueza, com a forma como as pessoas vivem e alcançam o bem-estar", sublinhou José Reis.
De acordo com o catedrático da FEUC, que proferiu a conferência de encerramento do seminário, nos trabalhos foi também levada a cabo "uma reflexão crítica" sobre a ciência económica e o ensino.
"Na maioria das faculdades de Economia continua a ensinar-se Economia como se nada se tivesse passado nos últimos meses", criticou.
Frisando que "a crise será longa, seguramente de anos", José Reis considerou que, actualmente, "é absolutamente crucial o investimento público em infraestruturas e modernização".
O seminário foi organizado pelo Núcleo de Estudos sobre Governação e Instituições da Economia do CES e do Programa de Doutoramento em Governação, Conhecimento e Inovação CES/FEUC.
Jornal de Notícias |
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