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Segunda, 10 Maio 2010 09:00 |
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O futuro é sombrio e o povo revolta-se, culpando os governantes. No entanto, na Grécia há poucos inocentes. Há muito que se sabia que viver acima das possibilidades ia acabar mal
Grécia sem graça. Ainda ninguém entende o que se passa e principalmente o que se vai passar neste país. Fala-se muito da crise, da UE e da possível bancarrota, diz-se que nos darão crédito para evitar a falência. Há dois meses, o governo anunciou medidas: o 14.o mês já se foi, os 57 anos da idade de reforma passam para os 67 no caso dos homens e para os 64 no caso das mulheres.
No princípio não se notou nada. Parecia que nos faltaria o dinheiro, mas ainda não se via nem se sentia a crise.
Agora, no entanto, o governo anunciou outras medidas: mais IVA, menos dinheiro para pagamento de reformas, as pensões sofrerão cortes até 20%, os cigarros custam mais 22%. No outro domingo um litro de gasolina custava 1,25 euros e hoje já custa 1,43. Passo a passo, vê-se que algo se passa. E que não é possível voltar atrás. Toda a gente está revoltada. Greves, manifestações, broncas, acusações, mortes até. Mas agora não se pode mudar nada. Sabemos que a vida será muito difícil. Saíamos três a quatro vezes por semana; agora sabemos que sairemos uma só e sem gastar muito. Os carros ficarão nas garagens. Temos de viver com menos dinheiro e com mais gastos. Porquê?
Agora toda a gente pede que os responsáveis vão para a cadeia. Mas quem são os responsáveis? Acusa-se o anterior governo e em teoria todos os anteriores governantes são responsáveis. Mas a justiça na Grécia demora muito e ainda não há acusados.
Seguramente o mais importante que os gregos querem saber é o que se vai passar agora. Não são 180 euros que se perderam por magia, são 180 mil milhões!
Muitos zeros de diferença!
Todos os dias olhamos para a TV e parece que chegou o Armagedão. Toda a Europa nos quer matar.
A crise verdadeiramente ainda não se nota. Ainda todos trabalham, não há lojas fechadas. Mas é certo que em breve se vai fazer sentir - estima-se que mais de 100 mil empresas de nível médio fecharão no próximo ano e meio.
Agora o governo calcula, corta e prepara modelos de salvação. O que muitas vezes não tomam em consideração, governos e FMI e agências diversas, é que por trás dos números existem pessoas - um elemento totalmente imprevisível, compatível apenas com o... caos. Nem me refiro ao vandalismo da semana passada que acabou com mortes em Atenas. Veremos o que se vai passar.
O grego médio não acordou de manhã para ficar de repente sem benefícios luxuosos, como alguns pensam. O Eurostat divulgou dados sobre os níveis de pobreza na União Europeia baseados nos rendimentos de 2008 e a Grécia apresentou a maior percentagem de trabalhadores que vivem na pobreza entre os países da zona euro, o que equivale a 14% em relação ao potencial produtivo de trabalhadores gregos com mais de 18 anos. A média da UE é de 8%. O Eurostat justifica esta conjuntura com salários muito baixos, o aumento do trabalho a tempo parcial e o elevado número de trabalhadores não-qualificados. Cerca de 20% dos gregos vivem abaixo da linha da pobreza, a quarta maior percentagem da União Europeia a 27, depois da Letónia, Roménia e Bulgária, só igualada pela Espanha na área do euro.
Mas é verdade que gastámos de mais. O total de empréstimos das famílias gregas é de cerca de 120 mil milhões, representando 50% do PIB. Nestes contam-se cerca de 81 mil milhões de empréstimos hipotecários e 36 mil milhões para consumo e cartões de crédito. Nesta base, a dívida média de cada uma dos 2,5 milhões de famílias é de 48 mil euros!
Incrível! Impossível!
Jornalista em Atenas
www.ionline.pt
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Sexta, 19 Março 2010 09:00 |
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Eram cinco minutos de vídeo. Mostravam como 50 mil cidadãos na Estónia acabaram com dez mil pequenas lixeiras espalhadas pelo país. Num único dia, 3 de Maio de 2008, fizeram o que custaria ao Estado três anos de trabalho e 22 milhões de euros.
O filme circulou no YouTube e em Julho do ano passado chamou a atenção de três portugueses - Nuno Mendes, Paulo Torres e Rui Marinho -, unidos pela paixão dos passeios em veículos todo-o-terreno. "O Nuno Mendes viu e mandou-nos", conta Paulo Torres, 50 anos, comerciante de Braga. "Eu respondi: "Vamos a isso"", diz Paulo Torres.
Passaram-se oito meses e amanhã mais de cem mil portugueses vão varrer o país, literalmente, libertando-o de uma das maiores chagas da sua paisagem: os depósitos ilegais de entulhos, electrodomésticos, plásticos, pneus e outros testemunhos históricos da falta de civismo. A ideia inicial transformou-se numa das maiores mobilizações colectivas de sempre em torno de uma causa ambiental.
Ironicamente, nenhum dos três fundadores do projecto Limpar Portugal pertence a uma associação ambientalista. "Não sou activista, nem pretendo ser", diz Paulo Torres. O movimento opera com uma estrutura informal, sem estatutos, nem burocracias, e sem dinheiro. Todos os apoios obtidos são em espécie ou em serviços.
O que fez a ideia alastrar como mancha de óleo foi a Internet. "Abrimos uma rede social e passados alguns dias tínhamos mais de mil pessoas dispostas a participar", afirma Torres. Até ontem, a rede social criada na plataforma Ning já tinha mais de 46 mil adeptos. Muitas inscrições são colectivas - juntas de freguesia, escolas, empresas. Por isso, esperam-se pelo menos o dobro de pessoas.
Jorge Amorim, empresário de Santa Maria da Feira, também teve a mesma ideia ao ver o filme da Estónia no YouTube e lançou-a em outra rede social, a Star Tracker. "Tive uma resposta muito rápida", afirma. No final, uniu-se ao movimento que já emergia mais acima, em Braga.
E a eles juntaram-se centenas de autarquias, empresas, associações, personalidades públicas - incluindo o Presidente da República, Cavaco Silva, e a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro, que ajudarão amanhã a apanhar o lixo que outros deitaram para o chão.
Internet essencial O papel das redes sociais foi essencial. "Sem uma estrutura desse tipo, não teria sido possível", avalia Jorge Amorim. "Foi o poder da Internet", concorda Paulo Torres.
Foi também através da Web que o projecto já conseguiu localizar 13 mil lixeiras. A identificação é feita através de uma plataforma que já tinha sido desenvolvida por Cláudio Teixeira e João Paulo Barraca, dois investigadores da Universidade de Aveiro, na qual cidadãos podem assinalar problemas ambientais na sua área de residência, "Quando vimos qual era o propósito [do projecto], achámos que o nosso trabalho poderia equadrar-se perfeitamente", diz Cláudio Teixeira.
A organização também se desdobrou em contactos. O apoio de Cavaco Silva abriu muitas portas. Dezenas de empresas privadas e instituições públicas ofereceram-se para ajudar. A companhia Tranquilidade e o Instituto Português de Juventude ofereceram seguros. O GrupoGCI, da área da comunicação, apoiou nas relações públicas. A Tetrapak deu materiais necessários aos voluntários de Oeiras. A empresa Fuga e Evasão vai pôr monitores a fazer rafting para limpar lixeiras em zonas difíceis em Arouca. Muitas autarquias vão emprestar camiões e máquinas.
São apenas exemplos de um interminável universo de entidades que se associaram à iniciativa, contribuindo de uma forma ou de outra. Todos querem participar.
O Ministério do Ambiente mobilizou praticamente toda a sua estrutura para ajudar a limpar Portugal. Mais do que isso, publicou legislação especial - uma portaria - a isentar do pagamento de taxas os lixos recolhidos sábado e que sejam depositados em aterros ou incinerados.
O destino dos lixos - não se sabe ainda em que quantidade - será o ponto mais delicado da operação. As empresas públicas de gestão de resíduos aceitarão uma parte dos resíduos, sem cobrar nada. Mas a operação foge à normalidade e foi preciso alguma adaptação. A Valorsul, que trata dos lixos da cinco municípios da região de Lisboa, está em conversações com o projecto de Limpar Portugal desde Janeiro e criou um conjunto de regras a serem observadas.
O movimento foi pensado originalmente para limpar as lixeiras em espaço florestal. Mas acabou por se alargar para quaisquer casos. "Lisboa é uma das zonas do país com mais lixeiras referenciadas", afirma o informático Rui Cardoso, também envolvido na coordenação nacional do projecto desde o princípio.
Os voluntários estão organizados em grupos, criados na Internet. Mas o convite é para todos: "Quem quiser pode sair de casa amanhã com um saco para apanhar lixo da rua", diz Paulo Torres. "Não é preciso estar inscrito para participar".
Iniciativas similares
Coastwatch Criado na Islândia, já tem 22 países aderentes e pretende sensibilizar para a preservação do litoral. O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) associou-se ao projecto em 1990 e desde então foram promovidas iniciativas junto de autarquias portuguesas, com acções nas escolas. Em 2009, reuniu em acções mais de 5 mil voluntários.
Limpar o mundo, limpar Portugal Surgiu originalmente em 1989 pelas mãos de um velejador australiano que, descontente com a poluição que observava nas suas viagens, conseguiu arranjar 40 mil voluntários para limpar o porto de Sydney. Em 2007 a campanha, que teve uma acção ímpar em Portugal, afirmou-se como um dos maiores programas ambientais de cariz comunitário.
Surfer Rider Foundation Esta organização não governamental foi fundada em 1984 na Califórnia e tem expressão internacional, Portugal incluído. As várias escolas de surf comunicam entre si e promovem, junto da população local, a limpeza de praias e da zona litoral.
ProjectMar Projecto dinamizado pela empresa Divetek, com escolas de mergulho e a Sociedade Ponto Verde. A empresa, que vende produtos para mergulho, reúne desde 2008 centenas de mergulhadores para num dia retirar o máximo de lixo do fundo do mar. Sines, Portimão, Arrábida e Sesimbra estão entre as áreas onde actuam. (H.R.M.)
Jornal Publico
Como participar no Projecto Limpar Portugal
Veja as fotos aqui.
Video Projecto Limpar Portugal - YouTube
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Domingo, 14 Fevereiro 2010 09:00 |
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Os voluntários da Associação para a Assistência Farmacêutica recolheram 5800 medicamentos para instituições de solidariedade social, mais mil do que no ano passado.
Na segunda Jornada de Recolha de Medicamentos, o Banco Farmacêutico contou com a participação de 77 farmácias, mais 20 do que o ano passado, diz Nuno Santos, da direcção da associação.
Cerca de 200 voluntários recolheram medicamentos de venda livre, produtos de saúde e higiene para 49 instituições de solidariedade social.
Às farmácias dos concelhos que já se tinham associado na anterior jornada de recolha de medicamentos - Almada, Amadora, Amora, Lisboa, Setúbal, Loures, Seixal, Palmela ou Odivelas - juntaram-se este ano farmácias de Oeiras, Barreiro, Moita e Montijo.
Com o lema “dê um medicamento a quem precisa”, a organização da campanha elaborou listas de produtos que correspondiam às necessidades de cada instituição, que diferem consoante o grupo a que se dirige, por exemplo, crianças ou sem-abrigo.
Radio Renascença
Câmara de Leiria vai ajudar famílias carenciadas a pagar medicamentos
A Câmara de Leiria revelou ontem que orçamento municipal para 2010 foi inserida uma verba de 100 mil euros para apoio na comparticipação de medicamentos para agregados familiares carenciados do concelho, com o objectivo de contribuir para a erradicação da pobreza e da exclusão social, promovendo deste modo a solidariedade, a justiça e a coesão social.
Esta medida, sublinha a autarquia, "vem contribuir para combater a frágil situação económica que algumas famílias carenciadas do nosso concelho atravessam, sobretudo no que diz respeito à aquisição de medicamentos prescritos pelo Serviço Nacional de Saúde".
Na reunião de Câmara de ontem foi aprovado, por unanimidade, o Regulamento Municipal para a Atribuição de Comparticipações em Medicamentos a Famílias Carenciadas do Concelho de Leiria, que estabelece o enquadramento jurídico das referidas comparticipações, destinadas á aquisição de medicamentos, à taxa legal de cinco por cento de IVA e com receita do Serviço Nacional de Saúde.
Poderão beneficiar destas comparticipações os agregados familiares residentes no concelho de Leiria, cujo rendimento mensal per capita não ultrapasse 70 por cento da pensão mínima do regime geral da segurança social, do ano civil a que respeita. De acordo com este regulamento, o limite máximo das comparticipações por agregado familiar beneficiário é de 100 euros por ano civil.
Após esta aprovação o Regulamento irá para consulta pública pelo período de 30 dias. O município recorda que o ano de 2010 foi declarado pela União Europeia como o 'Ano Europeu de Combate à Pobreza e à Exclusão Social'.
Diário de Leiria
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