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Desempregados e sem-abrigo
Segunda, 25 Abril 2011 09:00

População sem abrigo

 

Em época de recessão, o trabalho é raro e só os mais fortes conseguem arranjar emprego.  Para os desempregados sem direitos sociais, dormir na rua é a única alternativa.

As pessoas, quando ficam desempregadas ou perdem as suas casas, recriminam-se: “A culpa é minha” É difícil interiorizar que não têm culpa. É um problema da estrutura social.

Para aqueles que foram postos de parte pela sociedade, os sentimentos de humilhação, afectam, por vezes a sua saúde mental!

O seu estilo de vida e comportamento estranho afasta-os ainda mais. Quando vivem na rua há alguns anos tem dificuldade em voltar à rotina do trabalho, mesmo quando lhes é oferecido, não se aguentam.

Habituaram-se a este estilo de vida, não tem mais objectivos. A sua reabilitação, se fosse tentada pelas instituições de cariz social, é extremamente difícil e muito cara. Porque partiu-se algo dentro deles.

A população de sem-abrigo é cada vez mais jovem. Agora há pessoas na casa dos 30 e dos 40 anos, o que é bastante jovem para ser sem-abrigo!

Os acordos de comercio totalmente livre entre zonas do globo, diferentes em termos económicos, destabilizam fortemente o mercado de trabalho dos países com custos elevados de mão de obra, a favor dos países onde o trabalho tem custos inferiores.

Pois a concurrencia entre as empresas leva-as a procurar os países onde os custos da mão de obra são menores.

Por conseguinte, o desemprego e  o numero de sem-abrigo irão aumentar nos países onde o custo do trabalho é, comparativamente, mais elevado.

De acordo com a informação disponibilizada à imprensa, a condição de sem-abrigo afecta milhões de pessoas por toda a Europa.

Só graças ao esforço individual e a entre-ajuda, e com muita imaginação, é que as pessoas poderão ultrapassar a crise e ter uma vida melhor.

DESEMPREGADOS.net é uma rede social de pessoas que estão desempregadas e procuram emprego.

AMI População Sem-Abrigo

C.A.S.A. Centro de Apoio ao Sem Abrigo

FEANTSA Federação Europeia de Organizações Nacionais que Trabalham com os Sem-Abrigo

invisiblepeople.tv I once heard a story about a homeless man on Hollywood Blvd who really thought he was invisible. But one day a kid handed the man a Christian pamphlet. The homeless guy was shocked and amazed, “what! You can see me? How can you see me? I’m invisible!

 
Dez lições dos primeiros dez anos do século XXI
Quarta, 22 Dezembro 2010 09:00

Aprendemos que o Ocidente já não é o centro do mundo

O mundo deixou de ter um "centro" para ter vários. A Ásia adoptou os pilares da sabedoria ocidental e ressurge. Não é do "declínio" americano ou ocidental que se trata, mas da "ascensão do Resto" do mundo.

1. O Ocidente continuará forte mas deixará de dominar o mundo, declarou há semanas, em Milão, Kishore Mahbubani, professor e antigo diplomata de Singapura. "Os Estados Unidos e a Europa foram óptimos guardiões da ordem mundial, mas agora estão em retirada." O título do último livro de Mahbubani, publicado em 2008, dispensa comentários: O Novo Hemisfério Asiático - A Irresistível Mudança do Poder Global para o Leste.

A mudança começa na "transferência da riqueza": o conjunto do Produto Nacional Bruto do G7 será ultrapassado em 2020 pelo conjunto do "E7", os "emergentes" com maior projecção político-económica - Brasil, Rússia, Índia, China (os BRIC), México, Indonésia e Turquia.

A "transferência do poder" é mais complicada. Também em 2008 o indo-americano Fareed Zakaria, então director da Newsweek International, publicava uma obra de choque: O Mundo Pós-americano. É uma nova ordem multipolar. Militarmente, a América continua a ser uma "potência única", mas está politicamente enfraquecida. Tem uma base económica e tecnológica extremamente forte. Não se trata do "declínio" americano ou ocidental mas da "ascensão do Resto". Ou os EUA se adaptam ao novo mundo, para o modelar e estabilizar, ou suscitarão vagas de nacionalismo nos "países do Resto", concluía. O problema maior é a China, não por crescer mas porque "opera numa tão grande escala que se torna capaz de mudar a natureza do jogo".

O termo "Resto" é uma ironia: até há poucos anos, era vulgar um quadro distribuir os grandes indicadores económicos em duas colunas - "Ocidente" e "Resto do Mundo".

2. É interessante olhar a questão Ocidente-Oriente por um prisma asiático. Singapurense de origem indiana, Mahbubani é um arauto da "ressurgência" da Ásia. Que diz ele?

Reflectindo a ambivalência asiática, antes de acusar, celebra o Ocidente. "Os Estados ocidentais alcançaram o auge do desenvolvimento humano: não só "zero guerras" mas também "zero perspectiva de guerra" entre ocidentais." O que não é um dado adquirido na Ásia - Coreia, China-Japão, Índia-Paquistão encerram pesadas ameaças.

Faz a apologia dos "sete pilares da sabedoria ocidental": mercado livre, ciência e tecnologia, meritocracia, pragmatismo, primado da lei, educação e cultura de paz. Por que ressurge a Ásia? Porque decidiu adoptar aqueles "pilares", seguindo o exemplo do Japão. O paradoxo do seu "milagre económico" é que ele se deve às políticas de comércio livre dos EUA e da Europa.

Depois, equaciona o novo conflito. O Ocidente desenhou, no fim da II Guerra Mundial, uma ordem multilateral, com base nas Nações Unidas. Os asiáticos não a contestam, pois "foram os grandes beneficiários". Querem a sua reestruturação. "A Ásia não quer dominar o Ocidente", quer forçá-lo a abrir mão do domínio sobre as instituições globais, do FMI ao Banco Mundial, do G7 ao Conselho de Segurança da ONU.

A crise financeira já levou à substituição do G7 pelo G20 e a uma correcção de forças no FMI. Mas os "emergentes" pedem mais e querem ter uma palavra na gestão das crises internacionais.

O mundo seria mais bem governado pela "competência asiática" do que pela "incompetência ocidental", argumenta Mahbubani.

Atribui à irresponsabilidade americana e aos seus mitos económicos a crise que ameaça desestabilizar o capitalismo. E a guerra do Iraque, à revelia do Conselho de Segurança, acelerou o declínio do Ocidente, em termos de poderio e de descrédito dos seus valores e instituições.

"A incapacidade do Ocidente de admitir o carácter inviável da sua dominação mundial representa um grave perigo para o mundo. (...) Haverá uma verdadeira crise da gestão da ordem mundial se não mudar de rumo." A liderança americana está enfraquecida mas a China e a Índia não têm os atributos necessários para a substituir. Reconhece: "Um vazio de liderança global é perigoso."

3. Deixou o Ocidente - 12 por cento da população mundial - de ser o "centro do mundo" como o foi desde o século XVI e, sobretudo, após a Revolução Industrial? Deixou. E depois? Não é sinónimo de marginalização ou declínio. O mundo tem agora vários "centros". Também o futuro da Ásia encerra riscos e incógnitas. Os asiáticos não têm uma identidade civilizacional ou histórica. São um puzzle de culturas. E um clube de rivais como a antiga Europa. A China é a maior incógnita e ainda não definiu as suas ambições. A maioria dos vizinhos quer compensar a sua ascensão, económica e militar, por um reforço da presença americana no Índico e no Pacífico. Nada é linear. Emerge uma ordem multipolar e heterogénea. "Assistimos ao aparecimento de uma nova forma de não-alinhamento, que não é dirigida contra os ocidentais, mas decorre da vontade dos países emergentes em defender os seus interesses e a sua visão de um mundo em que o poder global será redistribuído", resume o francês Thierry de Montbrial no anuário Ramsés 2011. Uma década é um minuto na História.

Público - Jorge Almeida Fernandes

 
Médias nacionais escamoteiam disparidades entre ricos e pobres de um mesmo país
Quarta, 22 Setembro 2010 09:00

As médias nacionais que revelam a progressão dos países nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio escamoteiam "algumas disparidades entre os mais ricos e os mais pobres", sustenta a directora executiva da Unicef Portugal


Em entrevista à agência Lusa, Madalena Marçal Grilo deu um exemplo incluído no mais recente relatório sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicado a 07 de Setembro: de 26 países onde as taxas de mortalidade infantil "desceram 10 por cento ou mais desde 1990", em 18 "o fosso entre as taxas de mortalidade das crianças dos 25 por cento mais ricos e dos 25 por cento mais pobres cresceu ou não se alterou", sendo que em 10 deles esse aumento chegou pelo menos aos dez por cento.


O relatório especial da Unicef defende, por isso, uma abordagem baseada na "equidade", insistindo na "necessidade" e nas "vantagens" de centrar "os investimentos nos mais desprotegidos, nos mais carenciados", nos "mais esquecidos", naqueles "que normalmente não contam", explicou Madalena Marçal Grilo.


O fosso que está a ser ocultado pelas médias nacionais verifica-se "mesmo nos países de médio e baixo rendimento", sublinha a responsável, o que prova que os progressos obtidos nos ODM não estão a atingir "igualmente todos" e que "os mais pobres continuam a ficar de fora".


Assinalando os "progressos muito importantes" desde que as oito metas do milénio foram fixadas, em 2000, Madalena Marçal Grilo refere, porém, uma "disparidade de acesso aos bens e serviços entre os que têm mais e os que têm menos".


E explicita: "A verdade é que a par destes progressos há, nalguns casos, situações em que as coisas não melhoraram, antes pelo contrário."


A directora executiva da Unicef Portugal deixa ainda um exemplo, sobre o acesso ao ensino, onde a paridade aumentou.


"Mas também não nos podemos esquecer que as raparigas continuam em desvantagem, na medida em que muitas vezes são obrigadas a abandonar a escola", devido a casamentos ou gravidezes precoces.

 

Jornal de Notícias

 
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